A Espanha recebeu a 12ª edição das Copas do Mundo em seu território. Madrid, Barcelona, Sevilla, Vigo, La Coruña, Gijón, Oviedo, Elche, Alicante, Bilbao, Valladolid, Valência, Zaragoza e Málaga foram as cidades sede do único mundial, até o momento, celebrado em solo espanhol. Porém, a Fúria não tem muito que se orgulhar da apresentação em casa.

 

A Copa de 1982 foi a primeira a contar com 24 seleções, entre elas o Brasil de Sócrates e cia, a França de Michel Platini, a Argentina de Maradona e a Itália de Paolo Rossi, além de Alemanha Ocidental, Argélia, Áustria, Bélgica, Camarões, Chile, El Salvador, Escócia, Inglaterra, Irlanda do Norte, Honduras, Hungria, Iugoslávia, Kuwait, Nova Zelândia, Peru, Polônia, Checoslováquia e União Soviética. O Brasil, pelo estilo de jogo, era um dos favoritos, junto com a Argentina atual campeã. Porém, a história reservava um dos capítulos mais tristes da história da canarinha nas Copas.

 

Seleção Brasileira encantou os espanhóis em 1982
Seleção Brasileira encantou os espanhóis em 1982

 

A ‘Tragédia do Sarriá’, como é conhecida, foi protagonizada por Brasil e Itália. A seleção de Telê Santana entrou em campo sabendo que precisava de um empate para ficar em primeira do grupo e avançar às semifinais. Pela frente a Itália, que só havia vencido um jogo no mundial. Com Sócrates, Falcão, Júnior, Toninho Cerezo, Zico e 100% de aproveitamento na Copa, o Brasil acreditava na vitória. Porém, mais uma vez o futebol mostrou que não existe jogo ganho. Paolo Rossi foi o carrasco da seleção brasileira. Ele, que vinha fazendo um mundial murcho, marcou três gols e mandou o Brasil para casa. Muitos não se conformam que a seleção de 1982 não tenha uma Copa do Mundo, aquelas coisas do futebol. No final das contas, a Itália, nada favorita, eliminou o Brasil e a Argentina e chegou à final. Fez 3×0 na Alemanha e levantou o caneco.

 

Itália campeã da Copa de 1982 na Espanha
Itália campeã da Copa de 1982 na Espanha

 

Na única Copa que viveu em casa, pelo menos até agora, a Espanha não foi bem. Kubala, depois de 11 anos no comando da Fúria, deixou o time e a Federação optou pelo uruguaio José Emilio Santamaría para treinar o time no torneio. Como anfitriã, a seleção espanhola não precisou passar pelas eliminatórias. Para treinar o time, a Federação organizou 19 amistosos em duas temporadas. O último deles no estádio que abrigaria a Fúria durante a Copa, o Luis Casanova, hoje Mestalla, de Valencia. É importante destacar que a Espanha vivia momentos políticos turbulentos em 1982. Grupos contra o mundial protestavam e as ameaças do ETA provocaram que a seleção vivesse sob um forte esquema de segurança. A fidelidade dos jogadores bascos da seleção também foi posta em dúvida por torcedores.

 

Seleção Espanhola Copa 1982
Jogadores da Seleção Espanhola na Copa 1982

 

O sorteio, cheio de problemas de organização, deixou a Fúria no grupo com a Irlanda do Norte, Iugoslávia e Honduras. Para a Copa foram convocados:

  • Goleiros: Arconada (Real Sociedad), Miguel Ángel (Real Madrid) e Urruti (Barcelona);
  • Defesas: Urkiga (Athletic), Camacho (Real Madrid), Tendillo (Valencia), Alexanko (Barcelona), Jiménez (Sporting), Maceda (Sporting) e Gordillo (Betis);
  • Meias: Alonso (Real Sociedad), Joaquín (Sporting), Zamora (Real Sociedad), Saura (Valencia), Sánchez (Barcelona) e Gallego (Real Madrid);
  • Atacantes: Juanito (Real Madrid), Satrústegui (Real Sociedad), Santillana (Real Madrid), Quini (Barcelona), Uralde (Real Sociedad) e López Ufarte (Real Sociedad).

 

Naranjito, mascote da Copa de 1982
Naranjito, mascote da Copa de 1982

Na primeira partida, jogo pobre e empate 1×1 com Honduras. Na segunda, vitória de 2×1 sobre a Iugoslávia. Na terceira e última do grupo, derrota de 1×0 para a Irlanda do Norte. Na Copa de 82, os dois melhores times de cada grupo avançavam e eram divididos em outros grupos. Na segunda fase, a Espanha caiu com Alemanha e Inglaterra. Derrota por 2×1 para a Alemanha e eliminação da Copa do Mundo. A Fúria não teve sorte e não jogou tudo que podia no mundial que realizou em sua própria casa.

 

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Jornalista, gaúcha e apaixonada por futebol espanhol. Em Madrid desde 2011, edita o Efeito Fúria especialmente para os loucos por futebol espanhol que querem acompanhar tudo que acontece na Espanha.

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